Discurso é a prática humana de construir textos, sejam eles escritos ou orais.
Sendo assim, todo discurso é uma prática social. A análise de um discurso deve, portanto, considerar o contexto em que se encontra, assim como as
personagens e as condições de produção do texto.
Em um texto narrativo, o autor pode optar por três tipos
de discurso: o discurso direto, o discurso indireto e o discurso indireto
livre. Não necessariamente estes três discursos estão separados, eles podem
aparecer juntos em um texto. Dependerá de quem o produziu.
Vejamos cada um deles:
Discurso
Direto: Neste tipo de discurso as personagens ganham voz.
É o que ocorre normalmente em diálogos. Isso permite que traços da fala e da
personalidade das personagens sejam destacados e expostos no texto. O discurso
direto reproduz fielmente as falas das personagens. Verbos como dizer, falar,
perguntar, entre outros, servem para que as falas das personagens sejam
introduzidas e elas ganhem vida, como em uma peça teatral.
Travessões, dois pontos, aspas e
exclamações são muito comuns durante a reprodução das falas.
Ex.
“O
Guaxinim está inquieto, mexe dum lado pra outro. Eis que suspira lá na língua dele - Chente! que vida dura esta de
guaxinim do banhado!...”
“-
Mano Poeta, se enganche na minha garupa!”
Discurso
Indireto: O narrador conta a história e
reproduz fala, e reações das personagens. É escrito normalmente em terceira
pessoa. Nesse caso, o narrador se utiliza de palavras suas para reproduzir
aquilo que foi dito pela personagem.
Ex.
“Fora
preso pela manhã, logo ao erguer-se da cama, e, pelo cálculo aproximado do tempo, pois estava sem relógio e mesmo se o
tivesse não poderia consultá-la à fraca luz da masmorra, imaginava podiam ser
onze horas.” (Lima Barreto)
Discurso
Indireto Livre: O texto é escrito em terceira pessoa
e o narrador conta a história, mas as personagens têm voz própria, de acordo
com a necessidade do autor de fazê-lo. Sendo assim é uma mistura dos outros
dois tipos de discurso e as duas vozes se fundem.
Ex.
“Que
vontade de voar lhe veio agora! Correu outra vez com a respiração presa. Já nem
podia mais. Estava desanimado. Que pena! Houve um momento em que esteve
quase... quase!”
“Retirou
as asas e estraçalhou-a. Só tinham beleza. Entretanto, qualquer urubu... que
raiva...” (Ana Maria Machado)
“D.
Aurora sacudiu a cabeça e afastou o juízo temerário. Para que estar catando
defeitos no próximo? Eram todos irmãos. Irmãos.” (Graciliano Ramos)
Um período pode ser
composto por coordenação ou por subordinação. Quando é
composto por coordenação, as orações possuem uma independência estrutural,
podendo vir separadamente sem prejuízo. Já no período composto por
subordinação, as orações são dependentes entre si por meio de suas estruturas.
Há três tipos de orações subordinadas: As substantivas, as adjetivas e as adverbiais. Trataremos aqui especificamente sobre o primeiro tipo:
Orações
Subordinadas Substantivas
Exemplo 1:
- A menina quis um sorvete. (período simples)
A menina = sujeito;
Quis = verbo transitivo direto;
Um sorvete = objeto direto;
A menina = sujeito;
Quis = verbo transitivo direto;
Um sorvete = objeto direto;
Temos duas posições na frase anterior
em que podemos usar um substantivo: o sujeito
(menina) e o objeto direto (sorvete). Nessas mesmas posições podem aparecer, em
um período composto, orações subordinadas substantivas.
Dependendo de onde elas apareçam e da
função que elas exerçam, poderemos classificar como Subjetiva (função de
sujeito) ou como Objetiva direta (função de objeto direto).
Sendo assim, notamos que:
- A menina quis que eu comprasse sorvete. (período composto)
A menina = sujeito;
Quis = verbo transitivo direto;
Que eu comprasse sorvete = Oração subordinada substantiva Objetiva direta
A menina = sujeito;
Quis = verbo transitivo direto;
Que eu comprasse sorvete = Oração subordinada substantiva Objetiva direta
E ainda em:
- Quem me acompanhava quis um sorvete. (período composto)
Quem me acompanhava = oração subordinada subjetiva;
Quis = verbo transitivo direto;
Um sorvete = Objeto direto;
Quem me acompanhava = oração subordinada subjetiva;
Quis = verbo transitivo direto;
Um sorvete = Objeto direto;
Além das posições de sujeito e objeto direto, as orações subordinadas
substantivas podem exercer a função de um predicativo, de um objeto indireto, de
um aposto e
de um complemento nominal.
Portanto podemos ter oração subordinada
substantiva de 6 tipos:
1. Subjetiva: ocupa a função de sujeito.
Exemplos:
- É necessário que você compareça à reunião.
VL + predicat. O. S. S. Subjetiva
VL + predicat. O. S. S. Subjetiva
- Consta que esses homens foram presos
anteriormente.
VI + O. S. S. Subjetiva
VI + O. S. S. Subjetiva
- Foi confirmado que o exame deu positivo.
Voz passiva O. S. S. Subjetiva
Voz passiva O. S. S. Subjetiva
2. Predicativa: ocupa a função do predicativo do sujeito.
Exemplos:
- A dúvida é se você virá.
Suj. + VL + O. S. S. Predicativa
Suj. + VL + O. S. S. Predicativa
- A verdade é que você não virá.
Suj. + VL + O. S. S. Predicativa
Suj. + VL + O. S. S. Predicativa
3. Objetiva Direta: ocupa a função do objeto direto. Completa o
sentido de um Verbo Transitivo Direto.
Exemplos:
- Nós queremos que você fique.
Suj. + VTD + O. S. S. Obj. Direta
Suj. + VTD + O. S. S. Obj. Direta
- Os alunos pediram que a prova fosse adiada.
Sujeito + VTD + O. S. S. Objetiva Direta
Sujeito + VTD + O. S. S. Objetiva Direta
4. Objetiva Indireta: ocupa a função do objeto indireto.
Exemplos:
- As crianças gostam (de) que esteja tudo tranqüilo.
Sujeito + VTI + O. S. S. Objetiva Indireta
Sujeito + VTI + O. S. S. Objetiva Indireta
- A mulher precisa de que alguém a ajude.
Sujeito + VTI + O. S. S. Obj. Indireta
Sujeito + VTI + O. S. S. Obj. Indireta
5. Completiva Nominal: ocupa a função de um complemento nominal.
Exemplos:
- Tenho vontade de que aconteça algo
inesperado.
Suj. + VTD + Obj. Dir. + O. S. S. Completiva Nominal
Suj. + VTD + Obj. Dir. + O. S. S. Completiva Nominal
- Toda criança tem necessidade de que alguém a ame.
Sujeito + VTD + Obj. Dir. + O. S. S. Comp. Nom.
Sujeito + VTD + Obj. Dir. + O. S. S. Comp. Nom.
6. Apositiva: ocupa a função de um aposto.
Exemplos:
- Toda a família tem a mesma
expectativa: que
eu passe no vestibular.
Sujeito + VTD + Objeto Direto + O. S. S. Apositiva
Sujeito + VTD + Objeto Direto + O. S. S. Apositiva
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